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Aristides de Sousa Mendes, outra das nossas melhores referências

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 19.02.08

E aí está finalmente em museu virtual. Um homem que colocou a sua humanidade à frente do preço a pagar. E quem ousa enfrentar o poder, paga sempre um preço elevado.

Um homem de família. E por isso a decisão terá sido muito mais difícil. Aliás, toda a família iria sofrer as consequências. (Pela pequenez de um ditador. Que ainda teve a lata de aceitar os elogios da comunidade internacional, após a guerra…)

Este homem salvou vidas humanas, em fuga desse horror da guerra e dos campos de extermínio nazis. Este homem estava no lugar certo na hora certa e sabia-o. E por ter consciência de tudo isso, o seu gesto humanitário tem muito mais valor.

E também pela sua grandeza humana permanecerá na nossa memória colectiva com o carinho e admiração que nos inspiram estas nossas melhores referências.

Museu virtual Aristides Sousa Mendes: http://mvasm.sapo.pt

 

(Nos anos oitenta visitei Cabanas de Viriato e vi a sua casa abandonada. Foi uma das visões mais tristes e desoladas da minha vida, não apenas pela casa, que fora elegante e habitada noutros tempos, mas pelo seu significado. Como era possível deixar cair a sua memória? Já vivíamos, pensava eu, em democracia!? Pensava eu…)

 

publicado às 14:29

Padre António Vieira, uma das nossas melhores referências

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 06.02.08

Foi no Liceu que o li pela primeira vez, motivada pela introdução do professor de Português. Já nessa altura o impacto foi enorme! Não apenas pela escrita brilhante, mas pelas ideias, absolutamente geniais.

Personagem fascinante, que nos inspira e desafia, como povo e como país. Ainda hoje.

Para recolher estes textos, e como não encontrava o meu livro de bolso de estimação, tive a sorte (feliz coincidência) do jornal “Correio da Manhã” ter assinalado os 400 anos do seu nascimento. Assim, foi a este livro que recorri: “Padre António Vieira, o imperador da língua portuguesa”, coordenação de José Eduardo Franco, ed. Correio da Manhã, 2008.

Dos Sermões de S. António:

Do primeiro, pregado em Roma: “… Será o argumento do meu discurso este: Que S. António foi luz do mundo, porque foi verdadeiro Português: e que foi verdadeiro Português, porque foi luz do mundo. …” (pág. 108)

“E se António era luz do mundo, como não havia de sair da pátria? … Saiu como luz do mundo, e saiu como Português. … Saiu para ser grande; e porque era grande, saiu. …” (pág. 112)

“Houve-se Deus com os Portugueses, como Agricultor de luzes. Semeia o Agricultor em pouca terra o que depois há-de dispor em muita. Pouca terra era Portugal; mas ali fez Deus um Seminário de luz, para a transplantar pelo mundo. …” (pág. 113)

“Mas… como S. António era a primeira luz destas luzes ela foi também a que lhes abriu, e mostrou o caminho saindo do Poente para Levante: não é este o curso do Sol: porém assi havia de ser, porque era António Sol, que levava a saúde nas asas… Assi António, e assi os Portugueses. … E porque o Sol quando desce a alumiar os Antípodas, mete o carro no mar, e banha os cavalos nas ondas, para que assi o fizessem também os Portugueses, deixa António a terra, engolfa-se no Oceano, e começa a nevegar, levando o pensamento, e a proa na África, que também foi a primeira derrota, e a primeira ousadia dos nossos Argonautas. …”

“… Porque o caminho, que fizeram os Portugueses, era caminho que ainda não estava feito. Por mares nunca dantes navegados. … Mareavam sem carta, porque eles haviam de fazer a carta de marear. … Navegavam sem carta, nem roteiro, por novos mares, por novos climas, com ventos novos, com Céus novos, e com Estrelas novas; mas nunca perderam o tino, nem a derrota; porque Deus era O que mandava a via… Estes eram os cavalos intrépidos, e generosos. …” (pág. 114)

Do segundo: “Assim como há dias claros, e escuros, assim o será o dia de hoje em comparação do passado. Hoje faz um ano … preguei aos Portugueses as luzes da sua Nação: agora lhes descobrirei a eles, e a todos as sombras dessas mesmas luzes: …” (pág. 120)

“… Estas sombras pois, que sempre seguem, e acompanham a luz, serão hoje a segunda parte daquelas mesmas luzes … Então ouviram o que somos, agora ouvirão o que não devêramos ser. …” (pág. 121)

“Vede agora se tinha eu razão para dizer, que é natureza, ou má condição da nossa Lusitânia não poder consentir que luzam os que nascem nela. …” (pág. 123)

“Temos visto que as obras ilustres, e gloriosas, que S. António obrou nas terras estranhas, não as havia de fazer na sua, e que ainda que as fizesse nela não haviam de ser vistas, agora digo, e concluo, que ainda que fossem feitas, e vistas, por isso mesmo não haviam de ser boas …” (pág. 136)

“… Por isso S. António saiu da sua com Divina prudência e providência: e porque esteve fora da terra das sombras, por isso a luz das suas obras luziu, e resplandeceu de maneira, que os olhos dos homens puderam ver obras de tanta luz …” (pág. 141)

Leio-o sempre fascinada. Porque é pura poesia. Metáforas e Parábolas. E um raciocínio sempre voador e luminoso. Tal como S. António, também António Vieira voou porque saiu deste “cantinho”, deste “canteirinho da Europa”.

 

publicado às 17:58

O Presidente da República e a Continuidade Histórica

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 04.02.08

O Presidente da República mostrou de novo uma rara inteligência, inspiração, dignidade e sentido de Estado ao participar na homenagem ao rei D. Carlos em Cascais. Com um discurso em que sintetizou as qualidades do rei e o tempo difícil em que viveu. A permitir essa continuidade histórica. Lembrando as qualidades de “um Chefe de Estado que procurou servir o seu país”. Um “Homem do Mar” “com uma combinação rara de dons” e a quem “a ornitologia, a oceanografia, a biologia marinha, a meteorologia são disciplinas que muito lhe ficam a dever no nosso país”. E a frase inspirada e poética: “Quis o destino que D. Carlos enfrentasse tempestades. Quiseram os homens que lhe não fosse dado tempo para as superar.

É o papel que o Presidente da República representa melhor: reconstruir uma identidade republicana, reabilitando os seus valores mais nobres, e permitir a paz e a continuidade histórica de um povo e de um país que procura limpar as feridas e cicatrizá-las, curar o passado para viver melhor o presente. É como se a sua especialidade fosse unir pontas soltas da História, coisas mal resolvidas. O que é uma qualidade rara, temos de o reconhecer.

Os dois pontos altos da sua presidência, a meu ver e até hoje, foram precisamente: as comemorações do 5 de Outubro e a homenagem a D. Carlos. Prevejo, por isso, um novo ponto alto dentro de dois anos, nas comemorações dos 100 anos da República. Quem diria que Cavaco Silva se tornaria o Presidente da Identidade Republicana e da Continuidade Histórica. De uma nova visão da República mais civilizada, tolerante, moderna, abrangente. Neutralizando o seu lado conspirativo, intolerante e violento.

 

 

publicado às 16:14


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